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Relato de gravidez: 35 semanas

É, mais um marco vencido! A cada terça-feira eu me assusto um pouquinho mais, ao ver o quanto o tempo voa. Procuro nem pensar lá pra frente – que com 36 semanas completas, por exemplo, entramos no nono mês de gestação. Uma semana por vez, não é?

Helena tem mexido consideravelmente. As crises de soluço acontecem com mais frequência – não todos os dias, mas o suficiente pra apertar meu coração. Pensa que mãe mole e chorona eu serei, gente! Sei que os soluços são um ótimo sinal, dela amadurecendo, mas não consigo não ficar com peninha ao sentir/ver a barriga dando pulinhos ritmados. Eu odeeeeio soluçar, espero que dentro da barriga a sensação seja mais confortável, rs! Ah, e descobri que minha Pacotinho tem vingado minha mãe: todo dia ela estica e enfia o pé na minha lateral direita. Marido esses dias viu, sentiu e chocou! Chega a dar uma dorzinha incômoda, em alguns momentos parece que ela vai abrir a pele e sair por ali mesmo. Minha mãe me contou que eu fazia igualzinho, inclusive no mesmo lugar. Nem posso brigar com a bebê, né? Aprendeu direitinho com as raízes, rs.

Conversando com o marido essa semana, percebi o quão grata eu sou. Em pleno oitavo mês de gravidez tô super ativa, sem dores, sem repouso, inchando menos do que esperava (em dias quentes retenho mais líquido, normal, mas nada absurdo), sem problemas. Ok, as estrias apareceram (além de nos seios, no alto das coxas e tão querendo surgir nos flancos) mesmo com os litros de água e cremes, mas são detalhes estéticos. Tenho meus momentos ruins? Claro! Mas a gravidez em si tem sido deliciosa. Canso mais fácil, preciso respeitar os novos limites do meu corpo – mas nada que me impeça de levar a vida de um jeito leve e gostoso. Nem nos meus sonhos mais utópicos achei que seria assim! Vamos ver como se desenrola daqui pra frente: já sinto a barriga mais pesada, já preciso descansar um pouco mais do que antes, já tem ficado mais difícil pra dormir em algumas noites… Mas tudo faz parte, nada preocupante e nada que a gente não possa lidar.

Falando em barriga cada vez maior, minhas roupas já não me servem mais! Até as leggings que comprei pensando na gestação, dependendo do dia, parecem incomodar. Resultado: todo mundo que me vê deve achar que tenho as mesmas 4 ou 5 peças, hahaha! Nos dias de calor que tem feito por aqui, dois vestidos e uma saia de malha tem me salvado. Ainda bem que trabalho em casa: dá pra ficar de calça de pijama molinha o dia inteiro, sem nada apertando o barrigão!

Essa semana tivemos consulta, e saí de lá super tranquila. Ganhei só 100g nos últimos 15 dias, e olha que na semana passada a gente teve jantares e mais jantares. Então controlar a alimentação direitinho durante o dia, evitar porcarias, trocar o elevador pela escada e caminhar 2 ou 3 vezes por semana estão fazendo efeito! Helena tem crescido, pela altura uterina, então tudo perfeito. Os exames estão em ordem – antes da próxima consulta devo fazer o do cotonete e também um de sangue para clamídia, pra usar como argumento quando a gente for recusar o colírio de nitrato de prata. Semana que vem temos uma ultra também, para ver o desenvolvimento da pequena. E, segundo o GO, ela deu uma “baixada”: a cabeça dela está mais na pelve do que estava antes.

No final de semana, ganhamos nossa cômoda! No domingo, enquanto meu marido e meu pai foram assistir futebol, eu e minha mãe limpamos e começamos a organizar as coisinhas da Helena nas gavetas. Aos poucos estou arrumando o armário e a cômoda, mas o quarto já está com os móveis todos no lugar! Decidimos comprar um criado mudo para usar de apoio para a poltrona de amamentação e também para abrigar garrafa térmica e kit higiene, já que temos espaço e o trocador ocupou toda superfície da cômoda. Acredito que essa semana vamos na Etna buscar (encontrei lá um modelinho que me agradou e não está tão caro), e quero aproveitar para pegar os detalhes que faltam: lixeira pequena, bandeja, garrafa térmica, potinhos para a troca de fralda e também para abrigar coisinhas miúdas nas gavetas. Combinamos também de nesse final de semana pendurar as decorações nas paredes, e logo devo montar as malas de maternidade. Ufa!

Por fim, ontem bateu cinco minutos de reflexão e, digamos assim, carência. Caiu a ficha de que em breve eu não serei mais a Nina, e sim a mãe-da-Helena. Senti uma necessidade imensa de ser mimada, agradada, de que resolvam coisas por mim e me surpreendam, porque sei que em breve eu mesma não vou conseguir me entregar a essas coisinhas. Percebi que mesmo durante a gravidez, fui deixando de lado coisas que fazia por mim – por exemplo, me maquiar. Meus cuidados de beleza se resumiram, nos últimos tempos, a cremes contra estrias e filtro solar: maquiagem, só o mínimo do mínimo e quando iria sair. Então resolvi começar a mudar isso, afinal, depois que Helena nascer é que não vou ter tempo de nada! Hoje acordei, troquei de roupa (resisti às calças de pijama o/) e fiz uma maquiagem levinha, para ficar trabalhando mesmo que sozinha. Já animou meu dia, sabe? Ainda mais que não estou 100% satisfeita com a aparência (algumas espinhas resolveram dar o ar da graça), então esses mini-mimos fazem bem. Essa semana ainda quero ver se marco uma tarde de mulherzinha: há eras não faço as unhas, e decidi que vou pra um salão fazer pé e mão. A gente merece, né?

Cuidar de mim, apenas por mim, é algo que eu sempre fiz e que sempre mudou meu humor para melhor. Não posso querer exigir que os outros olhem pra mim como a Nina, e não a mãe da Helena – mas posso mudar a forma como eu encaro tudo isso. Posso eu tomar a iniciativa de olhar pra mim, pras minhas necessidades, e verbalizá-las quando for necessário. O mundo não tem que adivinhar o que se passa pela minha cabeça e resolver minhas carências por mim, certo?

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