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Helena nasceu!

Pois é, não tivemos relato de 39 semanas. Apesar de ter completado esse marco na terça-feira dia 08/09, deixei para escrever o post no dia seguinte – e bom, não deu tempo. Helena chegou ao mundo no dia 09 de setembro, às 15h25, num parto domiciliar não-planejado e não-assistido à jato. É, essa semana Pacotinho já completa um mês!

Não consegui vir aqui antes. Puerpério é tenso, gente, se preparem, rs! As coisas estão começando a acalmar e se ajeitar por aqui – mas cada dia é uma novidade, uma descoberta, um motivo para pensar “será que estou fazendo certo?”. Tenho pensado em mil coisas para escrever aqui, mas no momento acabo focando em curtir e cuidar da pequena. Daqui a alguns dias volto a trabalhar (é, vida de empreendedor não é fácil, rs!), então quero cada segundo ao lado dela para lamber a cria, mesmo.

Mas, enquanto ela tira uma soneca, vim rapidinho aqui. Não tem como não dividir com vocês um pouco da emoção que eu vivi há 27 dias. Parece clichê, mas não consigo lembrar muito bem como era a vida antes dela chegar. Apesar de tão pouco tempo (menos de um mês), passa tão rápido – e é impossível pensar em felicidade sem ela aqui com a gente. Ok, parei de divagar: colo abaixo o relato do meu parto 😉 E aproveito para acabar com o anonimato, rs. E tem até foto nossa, olha só 😉

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Eu sempre quis ter um parto normal, mesmo antes de engravidar. Foi assim que eu vim ao mundo, foi assim que Deus fez as coisas – então, na minha cabeça, uma cesárea seria opção apenas por real necessidade. Um pouco antes de engravidar, descobri o caminho da humanização. Descobri que um nascimento respeitoso era muito mais do que a vida de nascimento. Descobri que mesmo uma cirurgia necessária poderia trazer um bebê ao mundo de forma calma, amorosa e tranquila. Respeitando o meu corpo e o corpo do bebê. Não tive como não me apaixonar e pensar: “é isso”. Já fui atrás de um obstetra com esse viés, e troquei de médico antes mesmo de engravidar.

E veio o positivo. Nunca me questionei novamente sobre o parto – a decisão já estava tomada há muito tempo, e o Wes embarcou nessa comigo. Depois de assistir ao documentário “O Renascimento do Parto”, então, não tivemos mais dúvidas. Salvo uma intercorrência, nossa filha viria ao mundo da forma mais natural (ou seja, sem intervenções) possível. Nem analgesia eu queria – mas tínhamos as possibilidades abertas, afinal, cada trabalho de parto é um trabalho de parto. O combinado, com nosso obstetra e doula, era que qualquer intervenção (analgesia, episio, etc) que fosse necessária seria avaliada no momento e decidida com o meu aval. Não gostaríamos de entrar na “linha de produção” do sistema obstétrico, e tínhamos total confiança na equipe de que isso seria respeitado.

Não decidimos em qual maternidade a Helena nasceria – ficamos entre duas opções e iríamos decidir na hora em que eu entrasse em trabalho de parto, principalmente para saber quem seriam os profissionais plantonistas (pediatra e anestesista). A preparação para o parto envolveu yoga para gestantes, encontros com as doulas, muita pesquisa, leitura, informação. Tinha uma playlist salva no celular para ouvir durante as contrações. Tinha um “vaso de bênçãos” com recados emocionantes de algumas amigas, para não perder a motivação na hora do desespero. Tinha combinados com o Wes e com a doula, de que só poderiam liberar a analgesia depois que eu pedisse no mínimo 500 vezes. Em todo pré-natal, falava sobre o parto com o médico: nossa intenção era o mais natural possível, e gostaríamos de esperar o trabalho de parto engrenar em casa (afinal, são quatro fases de TP e passar todas no hospital pode fazer com que o processo demore mais). Na minha cabeça, tinha tudo planejado e desenhado. Malas prontas, caminhos para os hospitais traçados, grupo no WhatsApp com as doulas. Celular do médico salvo nos favoritos.

E o pior cenário possível traçado na minha mente: entraria em TP lá depois das 41 semanas, seria um processo demoradíssimo, pra mais de 18 horas – afinal, isso é o normal para uma primeira gestação. Mas Papai do Céu tem outros planos, né?

No dia 09 de setembro, acordei com cólicas levinhas. Passei a manhã trabalhando, lavei roupa, avisei as doulas, despachei o marido pro trabalho – afinal, “são os pródomos e podemos passar dias nisso”. Não quis colocar o mundo em polvorosa por algo que duraria pelo menos alguns dias. “Não é trabalho de parto ainda”. Resolvi trabalhar apenas pela manhã e descansar na hora do almoço e à tarde, afinal, poderia engrenar em breve e eu iria precisar de energia para passar por longas horas de contrações.

O bicho pegou na hora do almoço: não consegui deitar para descansar, a bola de pilates estava incomoda, fui para o chuveiro. Pedi pro Wes vir pra casa, pra gente ver se falava com o médico, se chamava a doula, ou o que. Pedi pra antes ele comprar gatorade e pão, afinal eu não tinha comido praticamente nada. Mal sabia eu.

Lembro de, no meio da manhã, ter feito uma oração. Ter pedido pra Deus não me deixar ficar ansiosa, porque as chances eram enormes de ainda demorar. Pedi por forças, por direção, pedi pra que Ele tomasse conta de tudo como sempre – pedi pra que o tempo da Helena (e que só Ele saberia qual era) ser respeitado. Pedi para que Ele assumisse o controle, e entreguei. E confiei.

Wesley chegou em casa perto de 14h45. Eu estava pela terceira vez no chuveiro, e já não eram cólicas intensas que me permitiam cantar “you’re gonna hear me roar” bonitinha enquanto a água quente caia na minha lombar: os rugidos já eram gritos de verdade, e eu não conseguia conversar. Não conseguia responder ao Wes, só pedir que pelo amor de Deus me dessem anestesia, fizessem uma cesárea, fizessem a dor passar.

Médico pediu para que fôssemos então ao hospital, já prontos para internação. Falei que só sairia do chuveiro pra ir direto pro carro, porque a água me ajudava. Wes começou a descer as malas, voltou para o apartamento e eu pedi pra não ficar sozinha. Chamamos minha mãe, que em sete minutos estava com a gente. Wes desceu a última mala e os dois foram me tirar do chuveiro. Desligaram a água, eu levantei, e não deu. Veio outra dor – segundo o marido, nessa hora já eram uma contração atrás da outra. Me abaixei novamente, berrei para ligarem o chuveiro. Helena coroou. Em mais alguns instantes, Helena nasceu.

Helena nasceu às 15h25 do dia 09 de setembro de 2015. Com 39 semanas + 1 dia de gestação. No tempo dela. No chuveiro da casa dela. Pelas forças combinadas dela e minha. Foi acolhida por mim e pela avó materna, sob os olhos atentos e tranquilizadores do pai.

Amor, tua calma me fazia respirar mesmo em meio ao desespero. Tua mão firme na minha lombar me lembrava de que meu corpo tinha sido feito por Deus para aquilo, e que eu daria conta, sim.
Mãe, teu carinho foi fundamental. Tua disponibilidade em vir correndo sem nem saber o que estava acontecendo, tua praticidade em pegar toalhas de banho e lembrar de coisas como me dar gatorade depois de tudo, teu abraço, tua oração quando minha menina nasceu.
Tuane, Felicitas, Amanda, as palavras de vocês nos nossos encontros ecoavam na minha mente o tempo todo (pelo menos enquanto eu ainda raciocinava). O suporte de vocês ajudou a identificar o que estava acontecendo, mesmo que a gente não tenha tido tempo pra muita coisa.
Dr Cecílio, todo o conhecimento e a calma que você nos transmitiu possibilitaram que a gente não caísse no desespero quando as coisas saíram do controle e do planejado.

Meu Deus, meu Pai, meu guia, meu protetor. Quem me fez, quem conduziu a minha vida inteira, quem colocou essa preciosidade nas nossas vidas. Não tenho palavras, só tenho louvor! Tantas coisas poderiam ter saído erradas, mas o Senhor mostrou mais uma vez que é o Deus da Perfeição. Obrigada, obrigada, obrigada!

Essa é a história do meu parto. Um parto domiciliar não-planejado, sem assistência médica, mas cercado de amor e benção. Mulheres sabem parir e bebês sabem nascer.

PS: não tentem fazer isso em casa! Partos (mesmo que domiciliares) devem ser acompanhados por profissionais capacitados da área médica – sejam obstetras, enfermeiras obstetrizes ou parteiras. O que aconteceu conosco foi algo não planejado, fora da curva e, graças ao cuidado e proteção divina, tanto eu quanto Helena chegamos ao hospital perfeitamente bem.

parto-Nena

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Beijos meus e da Nena ❤

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A escolha do meu GO

No último post de relato da gravidez, a Renata me pediu para falar da escolha do meu GO humanizado. Vamos lá?

Eu sempre fui fã do parto normal – mas não tinha muitas informações sobre humanização, violência obstétrica, nada disso. Minha ginecologista parecia ser vaginalista (era a médica da minha mãe quando eu nasci, de parto normal) mas nunca chegamos a conversar sobre isso.

Nesse meio tempo (coisa de um ano, um ano e meio antes de começarmos as tentativas) eu comecei a ler sobre a humanização. Entrei no grupo “Cesárea? Não, obrigada”, passava horas lendo relatos de parto em blogs aleatórios… E a pulguinha me mordeu. Decidi que eu queria não apenas um parto vaginal, mas sim um parto respeitoso, amoroso, cheio de carinho e cuidado. E não sentia essa vibe na médica que me acompanhava até então.

Fui pesquisar sobre os nomes da humanização em Curitiba. Sempre me deparava com quatro: Dr Carlos Miner Navarro, Dr Cecílio Toniolo Neto, Dr Álvaro Silveira Neto e Dra Carla Batiuk. Catei o telefone e liguei para todos – com quem consegui a consulta mais perto foi o Dr Cecílio, que atende no Hospital Nossa Senhora das Graças. Fui lá pra fazer uma consulta de rotina e já gostei: nada de pressa, ficamos 40 minutos conversando e ele tirando todas as minhas dúvidas pré-concepção.

Aí passaram-se os meses, decidimos parar com a pílula e o resto tá documentadinho aqui no blog, rs. Quando fiz o teste de farmácia e vi a linha de positivo (dia 04 de janeiro, acho que nunca vou esquecer!), no dia seguinte liguei para marcar uma consulta com o Dr Cecílio – e já levar os exames de sangue que ele tinha deixado as guias comigo, pra quando positivasse. Consegui só para o final do mês (sinto que isso acontece porque ele não tem uma secretária dele – e sim a central de agendamentos do hospital), mas eu tinha muitas muitas cólicas e resolvi procurar um outro médico o quanto antes, para fazer um ultrassom e ver se estava tudo ok.

Quanto arrependimento. Me senti numa linha de produção, com consulta cronometrada e conversa infantilizada. Só faltou me chamar de “mãezinha” – típico daquelas histórias que eu lia de atendimento não-humanizado e achava exageradas. O tal médico não mediu minha pressão nem me pesou. Fez uma carinha de felicidade quando soube que minha mãe teve pré-eclâmpsia nas duas gestações. Se recusou a falar comigo sobre parto (“na próxima consulta a gente fala disso”). Disse que eu poderia precisar me livrar das minhas gatas “porque o protozoário da toxoplasmose viaja pelo ar” (juro). Deu um contrato de quatro páginas pra gente analisar e assinar e pagar a taxa de disponibilidade antes de 20 semanas de gestação. Enfim, saí de lá correndo pra nunca mais voltar, né? Pelo menos valeu a guia de US para ver Pacotinho pela primeira vez ❤

Enfim, sobre a escolha do GO humanizado, foi assim que aconteceu comigo. Teve muita empatia desde o princípio, e gerou uma relação de confiança tremenda (sério, o Dr Cecílio é um querido, calmo, explica tudo, coerente, não infantiliza a mulher – nem o pai da criança…). Eu queria um GO em quem eu confiasse totalmente, e encontrei. Ele é o tipo de médico que, se virar pra mim durante o trabalho de parto e falar da necessidade de alguma intervenção (sim, porque ele já adiantou que qualquer coisa que saia do planejado, ele virá me explicar e vamos decidir juntos), é porque ela é realmente necessária. Ele responde WhatsApp. Ok, as consultas sempre atrasam – mas quando a gente entra no consultório, ele dá 100% de atenção e não fica correndo contra o relógio. E gente, ele estava de plantão na noite de ano novo. Pra mim, esses itens eram/são fundamentais pra acompanhar a gestação da Pacotinho =)

E vocês, como escolheram o GO de vocês?

*** Meninas lindas, longe de mim dizer que vocês tem que fazer x ou y. Cada uma sabe o que vai no seu coração, e esse relato aqui é sobre o que está no meu. Ninguém é mais ou menos por ter parto assim ou assado, e acredito que funciona da mesma forma com outras questões relacionadas à maternidade. Lembrem-se de que da mesma forma que existem milhões de crianças no mundo, existem milhões de formas diferentes de criá-las – e cada mãe sabe o que funciona melhor para si 😉